ANS Inclui Exame para Diagnosticar Trombofilia na Lista de Coberturas Obrigatórias

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou recentemente a inclusão do exame anti-beta 2 glicoproteína IgG e IgM no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, tornando sua cobertura obrigatória pelos planos de saúde a partir de julho de 2026. A medida representa um avanço importante no diagnóstico da Síndrome Antifosfolipídica (SAF), especialmente para mulheres gestantes ou que desejam engravidar.

O que é a Síndrome Antifosfolipídica (SAF)

A Síndrome Antifosfolipídica é uma doença autoimune associada à trombofilia adquirida, ou seja, uma condição que aumenta o risco de formação de trombos (coágulos sanguíneos). A SAF pode provocar tromboses venosas e arteriais, além de complicações obstétricas importantes.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Abortos recorrentes;
  • Pré-eclâmpsia precoce;
  • Restrição do crescimento intrauterino;
  • Parto prematuro;
  • Histórico de trombose;
  • Complicações gestacionais sem causa aparente.

O diagnóstico precoce é essencial para reduzir riscos e permitir um acompanhamento adequado durante a gravidez.

O que é o exame anti-beta 2 glicoproteína IgG e IgM

O exame detecta a presença de anticorpos anti-beta 2 glicoproteína I, que fazem parte dos chamados anticorpos antifosfolípides. Esses anticorpos estão diretamente relacionados à SAF e auxiliam no diagnóstico da doença.

Os anticorpos avaliados são:

  • IgG
  • IgM

Quando alterados, podem indicar maior predisposição à formação de coágulos e complicações na gestação.

Segundo os critérios diagnósticos da SAF, o exame costuma ser realizado em conjunto com outros testes laboratoriais, como anticoagulante lúpico e anticardiolipina.

Qual a importância para gestantes e bebês?

A gestação naturalmente já provoca alterações na coagulação do sangue. Em mulheres com SAF, o risco de complicações aumenta significativamente. A identificação da doença permite iniciar acompanhamento médico especializado e tratamentos preventivos, reduzindo os riscos para mãe e bebê. Entre os benefícios do diagnóstico precoce estão:

  • Redução do risco de aborto espontâneo recorrente;
  • Prevenção de tromboembolismo venoso;
  • Menor chance de pré-eclâmpsia;
  • Melhor desenvolvimento fetal;
  • Redução de restrição de crescimento intrauterino;
  • Mais segurança durante toda a gestação.

A própria ANS destacou que a inclusão do exame no rol obrigatório contribui para a detecção precoce da SAF e ajuda a reduzir riscos de mortalidade materna e neonatal.

Cobertura obrigatória pelos planos de saúde

Com a atualização do Rol da ANS, o exame anti-beta 2 glicoproteína IgG e IgM passa a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde conforme as diretrizes de utilização estabelecidas pela agência reguladora.

Essa inclusão amplia o acesso ao diagnóstico e fortalece o cuidado preventivo, principalmente para mulheres com histórico de perdas gestacionais, trombose ou suspeita de trombofilia.

A importância do acompanhamento médico

Apesar de a SAF não ter cura, o tratamento e o acompanhamento adequado fazem toda a diferença na qualidade de vida e na segurança da gestação.

Por isso, mulheres que apresentam histórico de abortos recorrentes, trombose ou complicações gestacionais devem conversar com seu médico sobre a investigação da trombofilia e da Síndrome Antifosfolipídica.

O diagnóstico precoce salva vidas e proporciona mais tranquilidade para mães e bebês durante toda a gravidez.

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